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Projeto Semente Crioula inicia atividade de produção de hortaliças em comunidades quilombolas do Sertão

Fonte: CCLF

Publicado em 02.01.2009

O Projeto Semente Crioula realiza mais uma atividade com agricultores e agricultoras quilombolas no Sertão de Pernambuco. De 02 a 04 de fevereiro, serão implantadas unidades de observação de hortaliças, nas comunidades quilombolas de Santana e Conceição das Crioulas, localizadas no município de Salgueiro, e na comunidade de Feijão, situada no município de Mirandiba. Vale destacar que na oficina realizada na comunidade de Santana, também haverá a participação de quilombolas de Contendas.

Ao todo, cerca de 70 quilombolas, de diversas faixas etárias, inclusive idosos, participarão das atividades que serão orientadas pelo técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Nuno Madeira, com o apoio do técnico do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF) Rodrigo Tavares.

“A inclusão do trabalho sobre produção de hortaliças no projeto Semente Crioula foi uma demanda das próprias comunidades, que já produzem e comercializam diversas hortaliças, principalmente da comunidade de Feijão”, afirma Tavares.

Durante os três dias, serão instaladas unidades de observação de hortaliças tradicionais como araruta, ora-pro-nobis, vinagreira; e ainda variedades locais e sementes da Embrapa de batata-doce, cebola, cenoura, berinjela, pimentão, pimenta dedo-de-moça, pimenta biquinho, alface, espinafre, coentro, entre outros.

De acordo com Nuno Madeira, as unidades de observação servem como espaço de experimentação para a produção de hortaliças, incluindo também variedades que já são adaptadas ao clima das comunidades. “Eles já produzem muitas hortaliças, mas faltam alguns ajustes na produção de mudas e na análise de solo”, diz Nuno.

“A expectativa para o trabalho com hortaliças está alta na comunidade de Feijão, estamos interessados nas novas variedades”, afirma o quilombola Eduardo Gomes de Souza, que atua como mobilizador do projeto.

João Carlos de Souza, quilombola da comunidade de Conceição das Crioulas, também confirma o interesse da sua comunidade no trabalho. “Já iniciamos a produção de hortaliças orgânicas e queremos dar continuidade e aprender novas técnicas”.

Na atividade prática, serão apresentadas diversas tecnologias para plantio de hortaliças como a produção de mudas em bandejas por flutuação (no caso de alfaces), copos feitos com jornal ou copos plásticos. Os quilombolas também discutirão sobre compostagem, através do uso materiais locais, adubação verde e cultivo consorciado (quiabo e abóbora, vinagreira e maxixe). 

Após a implantação das unidades demonstrativas, os próprios quilombolas irão fazer o acompanhamento da produção para que posteriormente possam avaliar e decidir sobre a produção nas comunidades, visando à inclusão na dieta alimentar e as possíveis oportunidades de comercialização.

Uma das variedades tradicionais, que podem ser resgatas com o projeto, enriquecendo a nutrição dos quilombolas, é popular ora-pro-nobis (Pereskia aculiata), planta da família dos cactos, cujas folhas são comestíveis e apresentam cerca de 20% de proteína, além de vitaminas A, B e C; minerais como cálcio, fósforo e ferro.

Ainda neste primeiro semestre de 2010, o agrônomo da Embrapa Nuno Madeira voltará às comunidades para avaliar juntamente com os quilombolas os resultados das unidades produtivas e realizar oficinas sobre o plantio de hortaliças, com a participação de mais quilombolas.

Saiba mais sobre o projeto Semente Crioula
  
O projeto Semente Crioula - Resistência Quilombola: soberania alimentar na caatinga tem como objetivo a promoção de um sistema de segurança alimentar e nutricional sustentável a partir do resgate e enriquecimento do acervo de espécies cultivadas, consumidas e comercializadas nas cinco comunidades quilombolas envolvidas.

O projeto Semente Crioula, lançado em abril de 2009, é uma iniciativa da Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (SEPPIR), com o apoio da Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional (CIDA). O projeto é desenvolvido através de parceria entre o Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), responsável pela coordenação executiva, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e as associações quilombolas das comunidades.

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