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DESENVOLVIMENTO LOCALConselho gestor avalia e planeja Projeto Semente CrioulaFonte: CCLF
Publicado em 03.02.2010 O Conselho Gestor do Projeto Semente Crioula esteve reunido no 31 de janeiro para avaliar o desenvolvimento do projeto, iniciado em 2009, e planejar as atividades de 2010. O encontro aconteceu na Ilha de Itamaracá com a participação de representantes das organizações e das comunidades quilombolas que integram o projeto. O projeto Semente Crioula - Resistência Quilombola: soberania alimentar na caatinga tem como objetivo a promoção de um sistema de segurança alimentar e nutricional sustentável, a partir do resgate e enriquecimento do acervo de espécies cultivadas, consumidas e comercializadas em cinco comunidades quilombolas do Sertão de Pernambuco. Estiveram presentes na reunião do projeto, o coordenador programático André Araripe e o técnico Rodrigo Tavares, do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF); o engenheiro agrônomo Rodrigo Alves e o sociólogo rural Edson Guiducci, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); o assessor técnico Daniel Brasil, da Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (SEPPIR), os representantes das associações quilombolas que atuam como mobilizadores (pontos focais) do projeto nas comunidades, Eduardo Gomes de Souza (Feijão), João Carlos de Souza (Conceição das Crioulas), Erivan Pereira (Contendas), João Evangelista (Jatobá) e Damião da Rocha (Santana). De acordo com os quilombolas João Carlos de Souza (mais conhecido como Zinho) e Eduardo Gomes, o funcionamento do Conselho Gestor foi um dos pontos considerados exitosos do projeto. “Avaliamos positivamente a metodologia utilizada no Conselho, que fez realmente o projeto andar”, afirmou João. “Foi importante, no conselho, o respeito às culturas das comunidades e à nossa vontade de trabalhar com orgânicos”, completou Eduardo. O coordenador programático do CCLF, André Araripe, afirma que “A contribuição do CCLF se deu no estímulo ao estabelecimento de um ambiente de gestão democrática. Está sendo importante dar vez e voz aos principais beneficiários do Semente Crioula para que eles interfiram nos rumos do projeto. Inclusive, vários ajustes foram feitos no projeto em 2009 por iniciativa e insistência dos quilombolas, como por exemplo, o foco na agricultura agroecológica”. De acordo com Araripe, o conselho também avaliou que “o projeto conseguiu sensibilizar as cinco comunidades quilombolas a respeito do direito à alimentação e sobre a possibilidade de se construir um sistema local, considerando a produção, o preparo, o consumo e a comercialização de alimentos. O desafio é difundir ainda mais o projeto nas comunidades, através de um plano de comunicação que ajude a mobilização realizada pelos “pontos focais” do projeto. João Carlos acrescenta que o clima em 2010 será fundamental para o desenvolvimento do projeto. “No período das chuvas, nós vamos avançar mais ainda, porque antes o clima não estava propício para o plantio de hortaliças, por exemplo”, explicou. Além da gestão do projeto e da sensibilização nas comunidades, a realização da 1ª Feira de Tecnologias e Saberes Crioulos foi uma dos pontos considerados positivos durante a reunião do conselho. “A feira causou um impacto muito grande nas comunidades. Cerca de mil pessoas participaram”, afirmou Eduardo. Araripe reforçou que “a feira fortaleceu e valorizou questões locais como o preparo tradicional de alimentos (buchada, munguzá salgado, fubá, etc) e tecnologias antigas que poucos ainda dominam, como a fiação de algodão”. Saiba mais sobre o projeto Semente Crioula O projeto Semente Crioula foi lançado em abril de 2009 através de uma iniciativa da Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (SEPPIR), com o apoio da Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional (CIDA). O projeto é desenvolvido através de parceria entre o Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF), responsável pela coordenação executiva, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e as associações quilombolas das cinco comunidades envolvidas. |
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