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CCLF realiza debate com historiadora Silvia Cortez, autora do livro Tempos de Casa Grande

Fonte: CCLF, com informações da Editora Perspectiva

Publicado em 16.07.2010

O Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF) promove diálogo com a historiadora Silvia Cortez, autora do livro “Tempos de Casa Grande”, recém lançado pela editora Perspectiva. O debate acontece, nesta quarta-feira (21 de julho), às 16h, no auditório do CCLF (Rua 27 de Janeiro, 181, Carmo), em Olinda. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo telefone (81) 33015241/ 5242 ou pelo email solange@cclf.org.br.

O debate será aberto pela coordenadora programática do CCLF, Cida Fernandez, que fará uma breve apresentação da historiadora e de sua obra. Em seguida, Silvia Cortez fará uma exposição sobre o seu livro, que trata do mito da democracia racial presente na obra de Gilberto Freyre.

O debate seguirá com intervenções de Delma Silva, integrante do CCLF, socióloga e mestre em educação, e do professor doutor Moisés Santana, da Universidade Federal Rural Pernambuco (UFRPE).

“O foco do debate é o racismo presente na obra de Gilberto Freire e os desafios para nós que estamos hoje lutando por novos patamares de relacionamento e respeito não só no campo da educação, mas fundamentalmente na forma de estar e ser no mundo”, explica Delma Silva, do CCLF.

SOBRE A AUTORA
Silvia Cortez Silva é historiadora, professora da Universidade Federal de Pernambuco e doutora em História Social pela FFLCH-USP. Publicou artigos em revistas e livros, analisando temas como livros proibidos, intelectuais e antissemitismo.

LEIA MAIS SOBRE O LIVRO:
“Tempos de Casa-Grande, antes de ser polêmico, é um livro corajoso por colocar em cena uma faceta pouco conhecida de Gilberto Freyre: a de intelectual racista e, em particular, antissemita. Integra-se ao conjunto de estudos que, nestas últimas décadas, têm revisitado o pensamento do grande "Mestre de Apipucos".

Silvia Cortez Silva não se furta de reconhecer uma das marcas mais importantes da obra freyriana e que, muitas vezes, foi eclipsada pela força do mito da democracia racial. Demonstra como o racismo e o racialismo foram acobertados por interpretações do próprio Freyre que, em Casa-Grande & Senzala, insiste na ideia de que a mestiçagem é o principal traço da identidade brasileira.

Ao analisar os textos de Freyre, a autora traz uma contribuição especial: nos instiga a reavaliar uma das mais importantes interpretações sobre o Brasil na década de 1930. Se Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, é um "divisor de águas" na história do livro e da cultura brasileira, Tempos de Casa-Grande, de Silvia Cortez Silva, é um marco na historiografia brasileira.

Através de uma linguagem perspicaz inspirada na mitologia grega, a autora realiza uma verdadeira arqueologia do saber construído por Freyre. Tarefa difícil, apesar do tempo de Silvia ser outro, distanciado dos "tempos de Freyre", tempo morto, tempo de aprendiz, tempo de intolerância, tempo de integralismo e autoritarismo. Inquieta diante da força dos mitos, a autora não tem medo da fúria de Éolo. Este livro é uma afronta oportuna ao mito da democracia racial que, assim como a Fênix, renasce das cinzas.”    [Maria Luiza Tucci Carneiro - Universidade de São Paulo]

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